Estrutura e Funcionamento do Sistema Nervoso
Percepcionar o mundo e orientarmo-nos nele, executar actos ajustados, ser amigo das pessoas, gozar o bom tempo e o sol, fazer projectos, desejar ir a uma festa, viver a vida e apreciar o que ela tem de bom, alimentar expectativas relativamente ao futuro – tudo isso implica o normal funcionamento de estruturas fisiológicas cujo controlo está a cargo do sistema nervoso.
Constituído por um conjunto de órgãos inter-relacionados, o sistema nervoso tem como função geral a coordenação dos processos que garantem o equilíbrio interno do organismo e o equilíbrio do ser humano no seio exterior.
Na sua actividade, o sistema nervoso dispõe de dois subsistemas fisiológicos que se designam por Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Periférico (SNP):
- Sistema Nervoso Central – desempenha essencialmente as tarefas associadas ao processamento e coordenação das informações. É constituído por duas estruturas nervosas: o cérebro e a espinal-medula.
- Sistema Nervoso Periférico – desempenha as tarefas ligadas à condução e à circulação das informações. Nele se inscrevem os nervos sensoriais, os motores e os mistos.
O Neurónio: a unidade básica do sistema nervoso
Desde os órgãos coordenadores aos condutores, todo o sistema nervoso é constituído por células nervosas, unidades básicas designadas por neurónio. Este, como as demais células, é formado por um corpo celular, em cujo interior se situa o núcleo. Diferencia-se, no entanto, das outras células por uma série de prolongamentos que o constituem, a que se dá o nome de dendrites. Um deles alonga-se bastante em relação aos outros, chegando a apresentar alguns decímetros de comprimento: é o cilindro-eixo ou axónio, que termina num conjunto de ramificações parecidas com uma raiz, chamadas telodendrites.
Para (ABRUNHOSA & LEITÃO, 2009, p. 60), os neurónios apresentam duas propriedades importantes para compreender a circulação de mensagens:
- Excitabilidade – que lhes permite reagir a estímulos. Quando uma fibra nervosa é estimulada, modificam-se as suas características eléctricas, o que produz uma pequena corrente a transmitir a outro neurónio.
- Condutibilidade – que lhes permite transmitir as excitações a outras células nervosas. A direcção normal das excitações implica a sua passagem das telodendrites de um axónio às dendrites do neurónio seguinte.
A Sinapse e a comunicação nervosa
Uma das funções dos neurónios é a condutibilidade, ou seja, a transmissão dos impulsos nervosos que, no seu conjunto, constituem o influxo nervoso (energia ou impulsos eléctricos que circulam nos neurónios). Os impulsos nervosos transitam das telodendrites de um neurónio às dendrites do seguinte, levando com elas as informações.
Não existe contacto físico ou continuidade entre as dendrites de um neurónio e as telodendrites do neurónio seguinte, mas uma ligação funcional, a que se dá o nome de sinapse. Entre as telodendrites de um axónio e a dendrite do neurónio seguinte existe um pequeno intervalo a que se dá o nome de fenda sináptica.
Nas extremidades do axónio existem pequenas vesículas com substâncias químicas, os neurotransmissores ou mensageiros químicos. No momento em que o influxo nervoso atinge o ponto sináptico, as vesículas lançam essas substâncias na fenda, cheia de partículas ionizadas, preenchendo o espaço intercelular ou sináptico. As partículas ionizadas actuam quimicamente sobre as paredes das dendrites do neurónio seguinte, cujo equilíbrio eléctrico fica momentaneamente alterado, absorvendo a informação transmitida.
Os nervos e a circulação da informação
Como órgão coordenador, o cérebro tem que "saber" o que se passa no organismo. Este conhecimento só é possível mediante a circulação da informação através dos nervos, que são um conjunto de fibras nervosas formadas por axónios e recobertas por uma membrana. Os nervos são, pois, as vias de circulação das mensagens entre o sistema nervoso central, os órgãos sensoriais, os músculos e as glândulas.
A informação circula em três tipos de nervos, que fazem parte do sistema nervoso periférico:
- Nervos sensoriais (aferentes) – Transportam as informações dos órgãos sensoriais até a espinal-medula e ao cérebro, para aí serem processadas.
- Nervos motores (eferentes) – Transportam as impressões dos órgãos periféricos, isto é, músculos e glândulas.
- Nervos mistos – Transportam a informação da periferia para os órgãos centrais (cérebro e espinal-medula) e destes para os órgãos periféricos.
Cronaxia
Cronaxia é a velocidade com que uma célula nervosa pode excitar (ABRUNHOSA & LEITÃO, 2009, p. 63). Os neurónios não levam o mesmo tempo a reagir a estímulos, possuindo cronaxias diferentes. Porém, o influxo nervoso só transita de células para outras quando possuem a mesma cronaxia.
Compete aos centros nervosos fazer com que as células nervosas fiquem com a mesma velocidade de excitação ou com velocidades de excitação diferentes. Os neurónios que ficam com a mesma rapidez de excitabilidade são aqueles por onde passa o influxo; os que ficam com rapidez de excitabilidade diferente são aqueles por onde o influxo não pode circular. Assim, os centros nervosos definem, pelas alterações que introduzem nas cronaxias, o trajecto que o influxo deve seguir.
Genética e Comportamento
Hereditariedade, para Myers (1999), refere-se ao conjunto de processos biológicos que são responsáveis pela transmissão das características dos pais aos seus descendentes.
Cardoso, Frois & Fachada (1993) distinguem aqui dois tipos de hereditariedade:
- Hereditariedade Específica – refere-se às características comuns da mesma espécie, as que distinguem os indivíduos das outras espécies.
- Hereditariedade Individual – apesar da existência de características comuns nos indivíduos, estes podem apresentar características particulares que os distinguem dos outros.
Genótipo é constituído por todos os caracteres, quer morfológicos, quer psicológicos, quer comportamentais – são características como altura, cor dos olhos, cor e tipo de cabelo, etc. Esse conjunto de material hereditário responsável pelo fenótipo, constituído pelo gene das células, denomina-se genótipo.
"O conhecimento claro dos princípios básicos do mecanismo da hereditariedade permitirá compreender, justificar e resolver muitos dos problemas dos seres humanos nos mais diversos domínios da vida social tais como a educação, segurança social, o emprego, etc." (CARDOSO, FROIS & FACHADA, 1993, p. 155)
Cromossomas sexuais
Por cromossoma, devemos entender o "elemento integrante do núcleo de cada célula transportador dos genes que são as unidades básicas da hereditariedade" (ABRUNHOSA & LEITÃO, 2009, p. 20).
O processo de transmissão de caracteres de pais à sua descendência designa-se por hereditariedade. Esta transmissão processa-se através da fecundação, isto é, da união do óvulo e espermatozoide. O óvulo fecundado é designado por ovo e constitui a primeira célula, e pelo processo da mitose vai-se dividindo até formar outras células que são constituintes do organismo.
Em cada célula existe um núcleo com cromossomas formados por genes, que são os agentes portadores e transmissores de toda informação hereditária. O número e a disposição de cromossomas estão definidos num cariótipo, que é o mesmo em todos os indivíduos da mesma espécie. O cariótipo humano apresenta 46 cromossomas dispostos em pares: 23 para cada origem (materna e paterna).
Os trabalhos sobre o estudo da hereditariedade mais conhecidos são os de Gregório Mendel, cujas experiências com ervilhas são famosas.
📌 Fontes utilizadas neste artigo:
Abrunhosa & Leitão (2009) – Psicologia B
Cardoso, Frois & Fachada (1993) – Rumos da Psicologia
Myers (1999) – Introdução à Psicologia Geral
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