Nota: Este artigo é o décimo segundo de uma série que articula a Psicologia com a Administração Pública. Aqui abordamos os conceitos de consciência, atenção e os seus estados, e a sua influência no desempenho e na produtividade no sector público, com base no manual de Psicologia Geral.
O que é a consciência?
A palavra "consciência" é usada de muitas maneiras. Temos consciência da nossa identidade e do que nos rodeia. Fazemos um esforço consciente para obter bons resultados nos nossos estudos.
Pestana & Páscoa (2002, p. 46) definem consciência como "uma função psicológica que no estado de vigília, fornece ao indivíduo a experiência subjectiva, suficientemente clara, dos seus processos psíquicos (ideias, percepções, sentimentos...)".
Para a maioria dos psicólogos hoje, de acordo com Myers (1999), a consciência é "a percepção de nós mesmos e do nosso ambiente". Portanto, consciência é o conhecimento da nossa existência, dos nossos actos e do mundo exterior.
No contexto do trabalho, a consciência está relacionada com a capacidade de estar atento ao que se passa à nossa volta, de compreender as nossas próprias acções e de tomar decisões informadas.
Estados de consciência
A consciência pode apreender os fenômenos psicológicos de duas formas – espontânea e refletidamente – daí surgirem duas formas de consciência:
- Consciência espontânea – é o conhecimento imediato que acompanha todos os fenómenos psicológicos. Podemos considerar isso de consciência directa ou indireta, porque é a primeira impressão ou o simples registo de nossos estados psíquicos.
- Consciência refletida – é a volta deliberada do espírito sobre si mesmo. A lei da consciência refletida supõe atenção; é mais clara e intensa do que a consciência espontânea.
Podemos dizer que a consciência espontânea é a "consciência das coisas", enquanto que a consciência refletida é a "consciência de si mesmo".
No trabalho, a consciência refletida é essencial para a autoavaliação, para a aprendizagem com os erros e para o desenvolvimento profissional. Os funcionários que reflectem sobre a sua prática tendem a ser mais competentes e a adaptar-se melhor às mudanças.
Atenção: a focalização da percepção
De acordo com Pestana e Páscoa (2002, p.25), "a atenção consiste na focalização da percepção, de modo prolongado, sobre um conjunto de estímulos em detrimento de outros". Trata-se dos aspectos activo e selectivo da percepção.
A atenção seletiva significa que em qualquer momento focalizamos nossa percepção em apenas um aspecto limitado de tudo o que somos capazes de experimentar. Esta capacidade é crucial no ambiente de trabalho, onde somos constantemente bombardeados com estímulos – e-mails, telefonemas, interrupções, ruídos – e precisamos de nos concentrar nas tarefas prioritárias.
A importância da atenção para o desempenho no sector público
No sector público, a atenção é uma competência fundamental para a qualidade do serviço. A falta de atenção pode levar a erros, a atrasos e a um atendimento inadequado ao cidadão.
Os gestores públicos devem promover um ambiente de trabalho que favoreça a concentração, por exemplo, através da organização do espaço físico, da gestão do tempo e da redução de interrupções desnecessárias.
Além disso, a formação dos funcionários deve incluir estratégias para melhorar a atenção, como a técnica Pomodoro, a prática da mindfulness (atenção plena) e a gestão do stress.
Consciência, atenção e produtividade
A relação entre consciência, atenção e produtividade é estreita. Um funcionário consciente e atento é mais produtivo, comete menos erros e toma decisões mais acertadas.
A promoção de uma cultura organizacional que valoriza a concentração, a reflexão e a gestão do tempo pode contribuir para aumentar a produtividade e a qualidade dos serviços públicos.
📌 Fontes utilizadas neste artigo:
Pestana & Páscoa (2002) – Dicionário Breve de Psicologia
Myers (1999) – Introdução à Psicologia Geral
Cardoso, Frois & Fachada (1993) – Rumos da Psicologia
📚 Este artigo faz parte de uma série
👉 Leia a parte anterior: Memória, aprendizagem e capacitação no sector público
👉 Leia a próxima parte: Psicologia do Senso Comum e a humanização dos serviços públicos